POR GENTILEZA
Escrito em 12/07/2026.
Nos dias de hoje, em que falta de educação e grosseria significa “ser autêntico” e ter “personalidade”, me veio à lembrança aquela figura pitoresca que zanzava pelas ruas do centro do Rio de Janeiro distribuindo flores para quem atravessasse seu caminho.
O nome de batismo dele é José Datrino, mas ficou conhecido mesmo como o Profeta Gentileza, tem muita matéria sobre ele na Internet. Era um pequeno empresário, meio biruta, que ao saber de uma tragédia ocorrida em Niterói em 1961 (um circo que pegou fogo, mais de 500 mortos!), largou tudo e foi morar no local, sobre as cinzas do circo, e passou a pregar amor e gentileza Rio de Janeiro afora.
A família tentou interná-lo diversas vezes, mas ele sempre voltava, e se tornou parte do folclore da cidade, principalmente pelos seus grafites em verde e amarelo nas pilastras do Viaduto do Gasômetro, onde ele cunhava frases que ficaram famosas, como na fotografia que abre este texto.
Para quem caçoava chamando-o de louco ele dizia: “Sou maluco para te amar e louco para te salvar!”. E produziu frases como “Não usem problemas; não usem pobreza; usem amor e gentileza” e “Nenhum gesto de gentileza, por menor que seja, é perdido”.
E a mais famosa de todas: “Gentileza gera gentileza!”
O “Profeta” morreu em 1996, com o tempo os seus grafites foram cobertos por pichações, e a determinada altura a Prefeitura teve a brilhante ideia de cobrir tudo com tinta cinza. Isso mesmo, apagaram tudo![1]
Os cariocas, ainda bem, protestaram, e a partir de 1999 os murais do Gentileza começaram a ser restaurados. De tempos em tempos voltam a ser vandalizados, mas ainda estão lá para quem quiser ver.
Gentileza, segundo o Aurélio, é a “qualidade ou caráter de gentil”, e gentil é sinônimo de “nobre, generoso, delicado, amável, cortês, agradável, elegante”.
Traduzindo: Paulinho da Viola.
Queira, por gentileza, assistir/ouvir até o final, você não vai se arrepender.[2]
[1] Marisa Monte, “Gentileza” (Marisa Monte) in Memórias, Crônicas e Declarações de Amor, 2000.
[2] Paulinho da Viola, “Coisas do Mundo Minha Nêga” (Paulinho da Viola) in Bebadachama Ao Vivo, Disco 2, 1997.
Que escolhas maravilhosas Marcelo.
Conhecia o Gentileza e a música, mas não a estória dele.
Acho que a gentileza é mais que um aprendizado, é um jeito de ser. E nesse jeito de ser, Paulinho da Viola é um mestre.
O resto a gente aprende. Como
Ele disse…
“As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender.”
Grande abraço 🙏🏼
Gentileza…,
Talvez muitos nem sabem o significado!
Como entender o gesto desse homem, se é mais fácil dizer é um louco!
Parabéns!!
Educação vem do Berço. A partir dessa Educação é que um Homem se Forma como um Ser Humano Responsável pelo próximo e pela Natureza.