NO MEU TEMPO…
Escrito em 25/04/2026.
Semana passada escrevi sobre uma artista que é tida como o “Orgulho da Nação”, e que por aqueles dias tinha feito uma “apresentação histórica” na TV americana exibindo a sua música chamada Choka Choka.[1]
Trata-se, segundo a I.A. do Google, da artista que em 2026 completou “11 anos consecutivos como a cantora pop brasileira mais ouvida no Spotify”, e como meu texto não se mostrou muito orgulhoso com o Orgulho da Nação, vocês podem pensar que sou ultrapassado, incapaz de curtir as coisas boas da atualidade.
Faz tempo me deparei com um artigo muito bem escrito pelos jornalistas Rafael Battaglia e Bruno Vaiano, cujo título traz uma pergunta e a respectiva resposta: “As músicas de antigamente eram melhores? Não, só diferentes. Mas essa é uma ilusão comum. Conheça a psicologia por trás do gosto musical – que tende a se fixar na juventude.”[2]
O artigo relata pesquisas científicas publicadas em 1989 que determinaram que “… as nossas músicas favoritas são lançadas, em média, quando temos 24 anos. A maioria de nós curte as canções da infância, é maluco pelos hits da adolescência e juventude e vai odiando, cada vez mais, tudo que vem depois”. Esse estudo foi atualizado em 2022 para eleger a “idade de aproximadamente 17 anos para o pico das nossas preferências”.
Resumindo, música “boa”, para qualquer pessoa, seria aquela lançada entre os 17 e os 24 anos de idade da dita cuja pessoa. No meu caso, as músicas lançadas entre 1984 e 1991.
Fiz um levantamento rápido por aqui: O Tem Música Pra Tudo tem 164 posts publicados, e os Beatles aparecem em 31 deles (sem contar as aparições de músicas dos Beatles interpretadas por outros artistas).
O último disco dos Beatles foi lançado em 1970, um pouco antes de eu completar 3 anos de idade.
Ainda hoje ouço The Doors quase diariamente. Jim Morrison, líder e alma da banda, morreu afogado na banheira poucos dias antes de eu completar 4 anos de idade.
O Led Zeppelin, que não saía da minha vitrola no intervalo eleito pela pesquisa (para mim 1984 a 1991), acabou em 1980 quando eu tinha só 13 anos.
A música Layla do Eric Clapton, fundo musical da minha vida toda, foi lançada em 1972, aos meus cinco anos de idade.
Os Rolling Stones existem desde a pré-história e continuarão por aqui lançando discos até o ano 2075 (e eu continuarei comprando), mas as minhas preferidas foram lançadas quando eu tinha dois anos de idade (You Can’t Always Get What You Want e Sympathy For The Devil).
No início dos anos 1990 eu ouvia, diariamente, o álbum Alucinação do Belchior que é de 1976 (quando eu tinha 9 anos).
Músicas da minha vida: Like a Rolling Stone do Bob Dylan é de 1965 (não tinha nascido); Space Oddity e Ziggy Stardust do David Bowie são de 1969 e 1972 (2 e 5 anos de idade, respectivamente); Follow You Follow Me do Genesis é de 1972 (5 anos).
Discos que furaram de tanto que toquei no intervalo mágico dos “17 a 24 anos”: The Dark Side of The Moon (1973) e The Wall (1979), do Pink Floyd, foram lançados quando eu tinha 6 e 12 anos de idade. Paris, do Supertramp, é de 1979 (12 anos). Live in Cook County Jail, do B.B.King, 1971 (4 anos de idade).
Não é que eu não ouvisse as músicas lançadas “na minha época”, que o digam meus discos do Van Halen, Black Sabbath, Sá & Guarabyra e muito, muito Dire Straits, só para citar alguns.
Artistas que me mantêm vivo: Billie Holiday morreu em 1959, Charlie Parker em 1955, acho que meu pai nem conhecia minha mãe nessa época. Thelonious Monk deixou de existir em 1982, Duke Ellignton em 1974.
Essa pesquisa é ou não é furada? Ou será que na juventude eu já estava fora do prumo?
Voltando à polêmica do Choka Choka.
Para que não digam que não ouço nada atual, ou, pior ainda, que não gosto de mulher, uma artista que tem me encantado ultimamente:[3]
Se você perdeu o fôlego com a irlandesa Imelda May, relaxe agora com esta portuguesinha fantástica:[4]
O problema não é a época. Mas tem que ser música, e tem que ser boa!
[1] Reveja aqui: https://temmusicapratudo.com.br/2026/04/19/chokante/
[2] Leia em: https://super.abril.com.br/cultura/as-musicas-de-antigamente-eram-melhores/
[3] Imelda May, “Johnny Got a Boom Boom” (Imelda May) ii Love Tattoo, 2008.
[4] Marta Pereira da Costa e Richard Bona, “Encontro” (Marta Pereira da Costa, Richard Bona) in Marta Pereira da Costa, 2016.