AMIÚDE
Escrito em 19/07/2025.
Entre dezenas de maravilhas deste compositor, “Chão de Giz” é uma das minhas preferidas entre as músicas do Zé Ramalho.
Acho fantástico que ele use uma palavra tão incomum como “amiúde” em uma música, e é justamente a parte que eu gosto mais; se estou ouvindo sozinho (ou bêbado) não resisto a berrar com o cantor: A-MI-Ú-DEEEEEEE…[1]
Anos, uma vida inteira gritando a-mi-ú-deeee, e só recentemente descobri o real significado desta palavra.
Eu achava que “amiúde” era algo feito aleatoriamente. Mas não, é algo feito repetidamente, frequentemente![2]
Só há poucos dias me dei conta que esta palavra tão exótica está em outra música histórica, uma canção que ouço há muito mais tempo e por que não dizer, muito mais amiúde que a própria Chão de Giz. Como não percebi isto antes?
Vou deixar para você mesmo(a) descobrir onde está Wally:[3]
“Geni e o Zepelim” – que na minha infância era só motivo para risadas e gracinhas, ainda mais que a mãe de meus queridos amigos Hércules e Ulisses se chamava (ainda se chama) Geni – na verdade conta uma história beeem triste e reveladora de qualidades tão presentes e apreciadas na nossa sociedade, tais como a hipocrisia, a ingratidão e a desfaçatez.
Foi também só muito recentemente que eu soube, pelo meu amigo Oscar, que “Geni e o Zepelim” é inspirada em um conto de 1880 do escritor francês Guy de Maupassant. O nome do conto (e da protagonista) é “Bola de Sebo”, e a história é basicamente a mesma da Geni: uma prostituta que literalmente salva todo mundo e depois é menosprezada por quem salvou, afinal, ela é apenas uma puta.
Claro que eu não fazia mínima ideia de quem foi Guy de Maupassant, mas agora tenho um livro cujo título é “Os Melhores Contos de Guy de Maupassant”, que realmente são ótimos mas, pasmem, o livro não tem o conto “Bola de Sebo”! Tive que procurar na Internet mesmo.
Como sou ignorante. Até outro dia não sabia o que é amiúde, nunca tinha ouvido falar em Guy de Maupassant nem na prostituta Bola de Sebo. E como se não bastasse comprei um livro com mais de 100 contos sem antes conferir se o que eu queria estava entre eles.
Mas ignorância mesmo – infelizmente demonstrada por muitos amigos meus – é deixar de ouvir Chico Buarque, o Maior de Todos, por causa de política.[4]
[1] Zé Ramalho, “Chão de Giz” (Zé Ramalho) in Fagner e Zé Ramalho ao Vivo, 2014.
[2] Aurélio Buarque de Holanda Ferreira in “Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa”, 4ª. Edição, 2009, Ed. Positivo, p. 121.
[3] Chico Buarque, “Geni e o Zepelim” (Chico Buarque) in Ópera do Malandro, 1979.
[4] Chico Buarque, “João e Maria” (Sivuca, Chico Buarque) in Carioca Ao Vivo, Disco 2, 2007.
Além de “amiúde”, como que o Chico mete um “escafandristas” numa música?
Deve ter se proposto um desafio, não é possível!
No mais, parabéns pelo post!!!
Que escolhas lindas, Marcelo!!
O Maupassant eu estudei no ensino médio, mas como quase tudo que estudei naquela época, esqueci… e só ficou o nome, rsrsrsrsrs.
Encerrar com João e Maria foi divino. Uma música composta por Sivuca em 1947, quando Chico tinha apenas três anos, e que ele (o Chico) resgatou em 76.
Publique o TMPT mais amiúde. Faz falta. 😉.
Grande abraço.
Eu também Desconhecia…
Lindas Músicas !!!
Adoro quando Aprendo algo Novo !!!
Muito Obrigado !!!
Parabéns !!!
Fiquei curiosa,vou ler Guy de Maupassant.Tem nas estantes da casa dos meus pais…..
❤️❤️❤️
Pois é como dizia um personagem humorístico, “a inginorancia é que astravanca o progressio do Brasil”.
Eu achava que amiúde fosse aos poucos, na surdina… kkkk
Sou fã do Zé Ramalho, má a minha preferida é Apocalipse.
Well, vc sempre trazendo cultura musical para nós!
Beijo grande
Kkkk
Muito bom!
Esse “amiúde “ tambem me enganou por anos kkkk
Cantava tambem com enfase kkkk
Voce sempre muito criativo!🥰👏👏👏
Bj meu querido!😘