HINO A QUÊ?

HINO A QUÊ?

29/03/2026 5 Por Marcelo Pantoja

Escrito em 28/03/2026.

 

 

Esta semana tomamos mais uma lapada da seleção da França, dois a um fora o show.

 

Nenhuma novidade. Brasil e França se enfrentaram em copas do mundo quatro vezes; na primeira, em 1958, goleamos de 5×2, com direito a três gols do adolescente Pelé.

 

Pagamos por isto até hoje: Na Copa de 1986 o impossível aconteceu, Zico perdeu um pênalti(!) e fomos eliminados. Em 1998, todos lembram daquela final, Ronaldinho convulsionou e tomamos de 3×0. Por último, em 2006, nos eliminaram nas quartas de final, 1×0, Zidane deu até um chapéu no Ronaldo.

 

Mas o assunto hoje não é futebol. Só lembrei disto porque antes do jogo, como de hábito, tocaram os hinos nacionais. E o hino da França, como sempre, me encantou. Este hino costuma ser citado como “o mais lindo do mundo”, e é bonito mesmo, segue um trechinho de “La Marseillaise” para você lembrar:

 

 

 

 

 

O hino mais lindo do mundo tem trechos bem interessantes. Em uma das estrofes, por exemplo, convoca os cidadãos para “regar os sulcos da terra com o sangue impuro dos inimigos”. Outro verso exalta “os braços vingativos da Pátria”.[1] Tudo muito fofo e amoroso.

 

Essa docilidade não é privilégio só dos franceses: o hino mexicano, por exemplo, prega “guerra sem trégua”, e também tem apego pela imagem de “campos regados de sangue”.[2]

 

Já o hino da Argélia se gaba de ter “o som das armas como melodia” e “o ruído da pólvora para nosso ritmo”. E sem meias palavras, chama um outro país para o pau (“França, este é o dia do ajuste de contas, prepare-se para receber de nós a nossa resposta”). Lindo, não?[3]

 

Os hinos nacionais também curtem muito a palavra morte, o nosso por exemplo (quem adora a Pátria não “teme a própria morte”), assim como o da Itália[4] (“estamos prontos para a morte”). A crer nesses hinos morrer pela Pátria, aparentemente, é uma coisa muito legal.

 

Curiosamente, perto dos acima citados os hinos dos Estados Unidos[5], do Irã[6], da Ucrânia[7] e da Rússia[8] são bem tranquilinhos, não falam em guerra, sangue ou morte.

 

Lá nos primórdios do Tem Música Pra Tudo nós falamos de músicas que não são o que parecem (lembre AQUI). É o caso desses hinos sanguinolentos.

 

Leonard Cohen, o poeta cantor, tem uma música chamada Hino (Anthem). Este, sim, merece ser cantado com a mão no coração:[9]

 

 

 

[1] íntegra da tradução (França) em https://www.letras.mus.br/hinos-de-paises/1186858/traducao.html

[2] íntegra da tradução (México) em https://www.letras.mus.br/hinos-de-paises/943833/traducao.html

[3] íntegra da tradução (Argélia) em https://www.letras.mus.br/hinos-de-paises/1186792/traducao.html

[4] íntegra da tradução (Itália) em https://www.letras.mus.br/hinos-de-paises/85199/traducao.html

[5] íntegra da tradução (EUA) em https://www.letras.mus.br/hinos-de-paises/1898751/traducao.html

[6] íntegra da tradução (Irã) em https://www.letras.mus.br/hinos-de-paises/136296/traducao.html

[7] íntegra da tradução (Ucrânia) em https://www.letras.mus.br/hinos-de-paises/943913/traducao.html

[8] íntegra da tradução (Rússia) em https://www.letras.mus.br/hinos-de-paises/136654/traducao.html

[9] Leonard Cohen, “Anthem” (Leonard Cohen) in The Essential Leonard Cohen, Disco 2, 2002.